No Dia da Liberdade de Imprensa, embora desanimado, comemoro sem demagogias; em vez, com um trecho do livro “Regra do Jogo”, que tem como autor um dos grandes jornalistas da história desse país, Cláudio Abramo (in memorian).
"Em quarenta anos de jornalismo nunca vi liberdade de imprensa. Ela só é possível para os donos do jornal”.
Não tenho argumentos para discordá-lo. Infelizmente.
O varejo brasileiro registrou 33% de aumento em vendas de computadores pessoais e notebooks no primeiro trimestre de 2010. Foram vendidas quase três milhões de unidades. Ao final de março, o Ibope divulgou um estudo o qual revela que 67,5 milhões de brasileiros têm acesso à Internet. É 8,2% a mais que o mesmo período do ano passado. É o equivalente a 35% da população brasileira.
O poder de informar, aos poucos, muda de mãos. Saem das grandes empresas de mídia tradicional que por décadas dominam o Brasil e seu povo e passa a uma mídia, digamos, anárquica. Vivas à inclusão digital!
Em seminário promovido pelo Instituto Millenium em SP, representantes dos principais veículos de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia. Eles acreditam que se Dilma for eleita o stalinismo será implantado no Brasil. “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, sentenciou Arnaldo Jabor.
por Bia Barbosa, em Carta Maior
Se algum estudante ou profissional de comunicação desavisado pagou os R$ 500,00 que custavam a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada pelos representantes dos grandes veículos de comunicação nesta segunda-feira, em São Paulo.
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Começou hoje em São Paulo o Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, promovido pelo Instituto Millenium. Ao preço de R$ 500 por alma presente, o Fórum contará com palestras de muita gente boa, entre eles Roberto Civita (dono do Grupo Abril); Reinaldo Azevedo (colunista e blogueiro da Veja); o Ministro (da Globo) das Comunicações Hélio Costa; Arnaldo Jabor (comentarista da Globo), entre outros.
Só tem patrão. E patrão apenas visa interesse de patrão. Interesse público, deixa para o público discutir.
Era 31 de março de 1983 quando a conceituada revista semanal britânica New Scientist publicou em suas páginas a grande descoberta: o cientista alemão Dr. McDonalds tivera conseguido fundir células do boi e do tomate e criou uma carne que vinha com molho de tomate. Batizou de boimate o invento. Detalhe que o dia seguinte seria o dia da mentira e a revista tinha o hábito de pregar peças em seus leitores nesse dia. Leia mais…

Fantástica a cobertura da chuva dessa semana em São Paulo pela equipe de reportagem do programa da Globo de domingo à noite. Fantástica pela desinformação. Os repórteres foram às ruas de Sampa para provar que o lixo é o responsável pelos alagamentos que ocorrem há dois meses na cidade. Foram persuasivos e convenceram muita gente. Mas há outra verdade.
O orçamento para coleta de lixo na cidade foi diminuído nos últimos meses, mas a matéria não toca no assunto. Os vários rios e córregos que cortam a cidade penam com o assoreamento, nem. O poder público tem culpa em quaisquer pontos do Brasil, menos em São Paulo. Para eles, a culpa é da população que põe o lixo na rua para que pudesse ser recolhido. E da chuva, claro; e de São Pedro, o porteiro do paraíso, que a faz cair em tanta quantidade.
Entristece-me ver uma emissora de TV, detentora de massiva audiência, prestar-se ao papel de posicionar-se contra o interesse público e visar apenas interesses obscuros, os quais, muitas vezes, nem conseguimos imaginar.

Vou, mas volto. Esse é o plano A, ao menos.
Matéria do Século Diário afirma que os oficiais da Polícia Militar do Espírito Santo (amém) não mais reconhecerão a autoridade do Secretário de Segurança Estadual, Rodney Miranda. O fato deve-se à publicação do livro “Espírito Santo”, de autoria do Secretário, do juiz Carlos Eduardo Lemos e do escritor Luiz Eduardo Soares.
Os oficiais entrarão com processo judicial contra os autores do livro em nome dos ofendidos por ele; será solicitada a federalização do caso Alexandre Martins – juiz assassinado no Estado em 2003; e serão confeccionados outdoors com mensagens de rejeição à Rodney Miranda.
Nos jornais impresso e online de uma grande rede de comunicações do estado saiu algo. Enquanto isso, em sua emissora de TV, mereceram destaque apenas a visita ao estado do médico Dráuzio Varella; e as caminhadas das pessoas na praia após a chuva.
Lei do Silêncio? Não, quero acreditar que não.
Assinei a revista Veja. Não me importo com o que dirão os meus colegas jornalistas, o Nassif ou o Paulo Henrique Amorim. Assinei a Veja. Claro, não é para mim. É para Lila, minha cadelinha. As seis edições de teste são para avaliar se as páginas absorvem mais urina que os jornais locais e nacionais.
Mas, claro, como um leitor assíduo lê tudo que são palavras – e o que está em meio a essas -, resolvi folhear o semanário. Nada de diferente de quando tinha 17 anos e lia Marx, Engels, Bakunin, Nietzche, etc. Continua tão reacionário, que caso cientistas descobrissem uma forma de transformar ideologias em energia elétrica, ele poderia substituir a hidrelétrica de Itaipu.
A Veja não faz jornalismo, dá opinião. Sobre o que inexiste, muitas vezes. O presidente da Vale Roger Agnelli é tratado como um deus: o perfeito gestor. A mitomaníaca Lina Vieira é a dona da verdade. Notas na revista mentem sem medo de serem felizes. E, lógico, matérias frias requentadas no micro-ondas de última geração da Editora Abril. Os colunistas, deixa para lá…
Aliás, Lila, a cadelinha, acabou de chegar ao meu quarto. Não parece estar feliz: quer morder. Não é fome nem sede nem falta de atenção. Seriam as folhas rasgadas em frente à sua casinha? Vou verificar…
Há menos de três meses, a Folha de S. Paulo previu o Apocalipse. Em sentido literal. Previu uma epidemia de gripe suína no Brasil apenas comparável à gripe espanhola, de 1918, ou à peste negra, da Idade das Trevas: em oito semanas, o Brasil teria de 35 a 67 milhões de infectados. Ou seja, de 20 a 30% da população nacional.
Passaram-se oito semanas. Nada de tão grave aconteceu. Um pedido de desculpas ou retificação caberia. Entretanto, a Folha foi à territórios jamais explorados na mídia brasileira: encomendou uma pesquisa ao Intituto Datafolha e constatou, por amostragem, que milhões de brasileiros tiveram sintomas de gripe durante o inverno. As pessoas da humilde residência deste jornalista que vos escreve fazem parte da estatística.
Segundo dados paracientíficos obtidos de pseudoprofissionais, o jornal chegou à conclusão que o Brasil teve mais de 20 milhões de casos de gripe suína.
Eis que, semanas após a última noticia e passada a euforia pandêmica, o Ministério da Saúde informa que os casos graves de gripe suína declinaram suaves 97,3%. Qual será o próximo Apocalipse?