Fibria: politicagem, repressão e desinformação

Nem todo deserto é Saara. Há desertos verdejantes.
Em sanha de estabelecer o deserto verde no Espírito Santo, a Fibria (ex-Aracruz Celulose) continua a caça às bruxas. Na última quarta-feira, em conluio com a Polícia Militar de Vitória, invadiu as residências e destruiu móveis de 28 quilombolas em Conceição da Barra, balneário ao norte do estado. Acusam-nos, sem provas, de roubar eucaliptos.
Em outra ponta, a grande mídia capixaba, em conjunto com os representantes do povo na Assembléia, Câmara, Senado e Palácio Anchieta, omitem e distorcem determinadas informações que têm relação com a empresa.
A Fibria – quando ainda se chamava Aracruz Celulose – patrocinou à eleição vários candidatos capixabas no pleito de 2006. Àquela época, foram destinados mais de 1,4 milhões para candidatos que foram eleitos, de acordo com o banco de dados do Projeto Excelências.
Os 15 candidatos à Assembléia Legislativa Estadual eleitos receberam R$ 590 mil da Fibria. A AL-ES tem 30 lugares, portanto, metade deles tem dívida de gratidão com a organização. Assim como 60% dos representantes do ES na Câmara Federal. À campanha dos eleitos, foram destinados R$ 370 mil.
O governador Paulo Hartung recebeu R$ 200 mil da empresa para sua reeleição. Porém o valor mais alto foi destinado à campanha ao Senado Federal de Renato Casagrande: o ruivo recebeu R$ 265 mil da Fibria.
Explica o escudo político que a empresa dipõe: acobertamento de repressões; imunidade política; entre outros. Desde a ditadura militar, a Aracruz destaca-se como uma das maiores empresas do mundo na produção de celulose. E no saque de terras de minorias, como os quilombolas e os índios.
Após a fusão com o Grupo Votorantim, a rebatizada Fibria prova que mantém a vontade de tranformar o ES no deserto verde – de eucaliptos -, de hostilizar as minorias e pilhar suas terras. Com o apoio da grande mídia local, dos políticos, e, através da desinformação, do próprio povo.



